Técnicas Meliponicas – Transferência Jataí

Eu tenho como prática de manejo colocar as colmeias de abelhas mais sensíveis, á variações de temperaturas, dentro de caixas feitas de isopor (EPS) de 100 litros. Assim, consigo manter duas ou mais colmeias da mesma espécie sob temperatura controlada com aquecimento. Em uma dessas caixas de isopor, onde continha somente uma colmeia de Melipona bicolor (a outra colmeia tinha sido doada), tive o prazer de ver chegar uma enxameação natural da abelha Jataí (Tetragonisca angustula). As abelhas simplesmente invadiram a caixa por um dos dutos (eletroduto flexível) de entrada e se instalaram no piso da caixa de isopor.

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Foto 01: Vista geral da caixa de isopor (EPS) com enxame de abelha Jataí (Tetragonisca angustula) instalado no fundo. O sistema de aquecimento encontrava-se desligado.

Dois meses após a nidificação, comecei a preparar a transferência do enxame para uma caixa racional “modelo Novy” para essas abelhas, que possuem potes de alimentos de, em média, 2 cm de altura. Começava assim mais uma das minhas aprendizagens meliponicas.

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Foto 02: Enxame naturalmente instalado no fundo da caixa de isopor (EPS) após dois meses.

Abrindo o invólucro, pude ter uma noção geral do tamanho e quantidade dos discos de crias, bem como dos depósitos de alimentos. Decidi então colocar o enxame em uma caixa “modelo Novy” feita de concreto espumoso. Cada pavimento possuía as medidas de 25 cm de diâmetro externo (20 cm interno) X 3 cm de altura (2 cm internos). O espaço total reservado á área das crias, com os três pavimentos, era de 10 cm de diâmetro X 9 cm de altura, quando o enxame alcança o pleno desenvolvimento.

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Foto 03: Visão geral do enxame quando da abertura do invólucro, após os 60 dias de nidificação.

Como não possuía todos os pavimentos necessários, tive que improvisar utilizando um prato plástico de 22 cm de diâmetro X 3 cm de altura (desses utilizados para colocar vasos de plantas) como o primeiro pavimento. Coloquei alguns pedaços de invólucro no fundo do prato para receber os discos de crias.

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Foto 04: Prato de plástico, servindo como fundo da caixa, recebendo pedaços do invólucro do enxame.

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Foto 05: Os discos de crias, juntamente com o invólucro e a rainha, foram transferidos para o novo local.

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Foto 06: Vista geral após a colocação do 2º pavimento.

Após a transferência dos discos de crias, o segundo pavimento foi colocado sobre o prato plástico que servia (temporariamente) como primeiro pavimento.

Foi então que percebi que teria dificuldades para realizar a transferência dos potes de alimentos. Pensando melhor, resolvi tentar uma prática que ainda não havia feito: deixar que as abelhas carregassem, sozinhas, os potes de alimentos para dentro da caixa, já que eu sabia que elas sempre colocavam os potes de alimentos perto da área das crias, isso quando existia espaço. Veja abaixo na Foto 07:

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Foto 7.

A entrada do segundo pavimento da caixa foi direcionado para ficar próximo ao duto (eletroduto flexível) de entrada da caixa de isopor, por onde as abelhas tinham acesso ao exterior. Esperava assim que as abelhas carregassem os potes de alimentos para dentro da colmeia, evitando o derramamentos de alimentos e o possível aparecimento dos terríveis forideos.

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Foto 08: Entrada da colmeia direcionada para os potes de alimentos.

Agora era ter paciência e esperar para ver o que ia acontecer. Tinha receios sobre o que encontraria se houvesse o aparecimento de forídeos.

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Foto 09: Doze dias depois.

Doze dias após o inicio da transferência, resolvi então fazer uma vistoria em busca de forídeos ou outras anormalidades. Me pareceu que as abelhas estavam, como havia imaginado, carregando os potes de alimentos e não foram encontrados os forídeos nos potes de alimentos que ainda permaneciam na entrada da colméia, no fundo da caixa de isopor.

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Foto 10: Vista dos potes de alimentos ainda fora da colmeia.

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Foto 11: Alguns potes de alimentos haviam sido carregados e colocados no seu devido lugar, dentro da colmeia.

Resolvi então ampliar a colmeia, colocando o 3º piso, na esperança de que as abelhas continuassem a transferência e o desenvolvimento necessário.

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Foto 12: Colocando o acetato entre o 2º e o 3º pavimento.

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Foto 13: Aproveitando para colocar o 3º pavimento.

Feliz com o que estava acontecendo, resolvi acompanhar os acontecimentos, esperando mais uns 20 dias. Tudo estava dentro da minha intuição nesse manejo.

Trinta e dois dias após o inicio do processo, encontrei a situação que havia imaginado: os potes de alimentos tinham sido transferidos, pelas abelhas, para dentro da nova colmeia, conforme as fotos abaixo:

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Foto 14

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Foto 15

Fotos 14 e 15: Vista geral do piso da caixa de isopor, na entrada da colmeia.

Os potes de alimentos não se encontravam mais ali e as abelhas começavam a transferir, o que restava, para dentro da colmeia. Já dentro da colmeia…vejam que transformação.

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Foto 16: Vista geral do 3º pavimento após os 32 dias do inicio do processo de transferência.

Mais 11 dias, agora com 43 dias após o inicio da transferência, a situação era essa, vista nas fotos abaixo.

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Foto 17: Vista da entrada da colmeia, dentro da caixa de isopor, após 43 dias após o inicio do processo de transferência.

Fotos 18 e 19: Vista geral do 3º pavimento após os 43 dias. Enxame estabilizado e em pleno desenvolvimento.

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Foto 18.

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Foto 19.

Assim pude conectar a entrada da colmeia ao túnel de acesso da caixa de isopor e começar a alimentação artificial, já que o meu objetivo era, no futuro, fazer divisões desse enxame.

Pude então assimilar os resultados dessa nova experiência e adapta-la ao meu manejo com as abelhas. Agora, quando da transferência de enxames de troncos de madeiras, cabaças, armadilhas tipo PET, etc para as caixas racionais, quando possível, eu transfiro os discos de crias com a rainha e a maioria das abelhas para a nova moradia. Depois, faço um túnel de acesso (mínimo 20 cm de comprimento) da nova colmeia até a antiga moradia das abelhas.  Agindo assim tenho conseguido diminuir o trabalho de transferência e os riscos resultantes, deixando que as abelhas transfiram todo o material de interesse da antiga moradia para a nova colmeia. Após isso acontecer, o túnel de acesso é retirado e a colmeia passa a ter a sua característica normal.  A antiga moradia das abelhas se transforma então em uma atrativa armadilha, para receber possíveis enxameações naturais.

Espero que esse tipo de manejo possa ser útil aos novos Meliponicultores.

Dúvidas, críticas e sugestões serão bem recebidas.

OBRIGADO!

Eurico Novy

euriconovy@yahoo.com.br

Sabará – Minas Gerais – Brasil

 

Autor: Eurico Novy

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