Falta de Umidade

Tenho visto nos grupos de Meliponicultura em que participo, pessoas pedindo ajudas sobre possíveis problemas apresentados em suas colmeias. É comum o pedido vir acompanhado de fotos mostrando uma colônia em decadência, apresentando potes de alimentos (para mostrar que não é fome) e poucas abelhas com a “suposta” rainha. Geralmente surgem opiniões e sugestões relacionando como possíveis motivos do mal desenvolvimento da colmeia, o contato das abelhas com defensivos agrícolas e/ou fumacê, etc. Não sou a favor dos produtores de defensivos, nem quero aqui defendê-los. Mas tenho pensado muito nos últimos anos, e me questionado, se a culpa desse “mal desenvolvimento” é provocado pelo suposto contato das abelhas com esses venenos.
A seguir eu apresento fotos de uma colmeia (modelo “Novy”) de 14992030_1165226846899053_8565351266324988185_nUruçú Amarela (Melipona mondury) em que pode ser visto vários potes de alimentos e os discos de crias falhados. Diante desse problema, Inicialmente eu me lembrava das palavras do meu Mestre Cappas, onde esse muitas vezes relacionava as falhas nos discos de crias com “a eliminação de castas indesejadas pelas abelhas”. Acontece que a minha lida com as abelhas diariamente, num certo momento, me alertou sobre a possibilidade de baixa/alta temperatura e eu me esforcei em eliminar, ou contornar, essas variações. Muitas vezes o problema continuava ou voltava a aparecer, o que colocava em cheque essa minha teoria.

Depois 14991811_1165229666898771_7172350985296098562_nsurgiu então a possibilidade da baixa umidade. Comecei então a “testar” manejos que pudessem eliminar essa possibilidade e os resultados me parecem satisfatórios. Então penso que o problema do mal desenvolvimento das caixas, que normalmente acontecem no inverno, nas maiorias das vezes funciona assim: No inverno a umidade relativa do ar geralmente é baixa, então o material das caixa começa a perder umidade para o ambiente exterior. Isso acontecendo, a colonia de abelhas começa também a perder umidade o que acaba diminuindo drasticamente a umidade interna da colonia. Assim, com a baixa umidade, os ovos e/ou as larvas novas começam a se desidratarem e14925777_1165227803565624_5773493665986444395_n acabam morrendo.

As abelhas então começam a retirar esses ovos e/ou larvas e jogam para fora da caixa ao fazerem a faxina diária, o que resulta no que, acredito, está acontecendo na colonia das fotos abaixo. Se o meliponicultor não tem acesso frequente ás suas colonias de abelhas e/ou não presta atenção ao que está acorrendo é normal acontecer (se a umidade externa não aumentar) de se encontrar no final do processo a suposta rainha (suposta porque muitas vezes o que acontece é que uma as abelhas na tentativa de resolverem o problema, eliminam a rainha, e então surge uma princesa que não encontrando condições ideais não consegue ser fecundada e, se fecundada, não consegue normalizar a colonia) na caixa, com pouca ou nenhuma cria e algumas poucas abelhas vivas. Quando as poucas operárias não conseguem fazer a limpeza da caixa, é normal se encontrar acúmulos de abelhas mortas nas lixeiras. Penso que estou certo porque, basta aumentar a umidade dentro das colonias e, dentro de uma semana já se pode ver o enxame começar a voltar ao normal. Para subir a umidade, tenho colocado algodão embebido em água dentro das caixas. Quando das manutenções tenho borrifado água por cima das crias e potes de alimentos e ainda tenho, quando da alimentação, usado xaropes com mais água do que o usual, Feito isso, minhas abelhas quando apresentam esse problema relatado, tem voltado á normalidade dentro de uns 30 dias. Essa é a minha experiência!!!

Conversando com outros meliponicultores por grupos do Facebook após publicar o texto o fotos acima, recebi algumas ponderações que me fizeram pensar. Uma delas foi uma colocação do meu amigo Michel (Caeté-MG) questionando se não poderia ser, o ocorrido, motivado por problemas genéticos. Pensei: Se for isso, a cria nova não deverá está também falhada? Na mesma hora (15:37 horas) fui fazer uma vistoria na mesma caixa de Melipona mondury e vejam o que encontrei (ver fotos abaixo). Espero que os discos de cria encontrados possam “falar por se só”.

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Autor: Eurico Novy

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