A importância da alimentação artificial

Na caatinga, há épocas do ano em que a florada é baixa ou mesmo inexistente, dessa maneira, se faz necessário o fornecimento de alimento artificial para a sobrevivência das colónias nesses períodos. Essa providência é demais importante para o desenvolvimento das colónias do meliponicultor, sem o fornecimento de alimento artificial durante esse período podemos perder muito enxames por falta de reseva alimentar, principalmente no sertão onde o período de seca é muito rigoroso e mais ainda nas colónias que são extraídas mel para consumo e comercialização.
A alimentação artificial serve não só para manutenção das colónias mas também ajuda e muito o meliponicultor para multiplicar seus enxames, pois a presença de alimento estimula a rainha a ovopositar mais rápido e reduz em algumas espécies o período de hibernação (paralisação da postura).
O alimento artificial que usamos e que é muito bem aceito por quase todas as espécies, atualmente é o seguinte:
01kg de açúcar cristal + 1l de água potável + 1 pitada de sal + 15 folhas de erva cidreira ou 2 folhas de capim santo (as folhas servem de atrativo) + 2,5 mg (meia dose) de Aminomix Pet (suplemento alimentar que pode ser encontrado em qualquer Casa Veterinária) + ½ suco de limão puro (o limão serve para quebrar a molécula da glicose e transformá-la em sacarose + frutose). Essa quantidade mantém 10 colónias por 15 dias.
Fervemos a água e adcionamos o açúcar, depois de formado o xarope acresentamos as folhas da erva cidreira ou capim santo, depois de esfriar acresentamos o resto dos ingredientes.
Depois de frio, retiramos as folhas. O xarope pode ser conservado até 10 dias na geladeira, apartir disso pode fermentar. Para oferecer o alimento as abelhas, podemos fazer de duas formas, interna e externa, cada uma tem suas vantagens e desvantagens.
Internamente, basta colocar o xarope em copos descartáveis ou outro recipiente pequeno com um bebedor de passarinho com alguns palitos (para as abelhas não morrerem afogadas) e colocar dentro da caixa do enxame próximo a região dos potes de mel. A vantagem é que temos certeza que aquela quantidade fornecida estará disponível para aquele enxame pois não haverá concorrência, a desvantagem desse método é a necessidade de abrir a caixa toda vez que se faz isso, podendo destruir alguma estrutura do ninho, atrabalhar as relações feromoniais da colónia e ainda matar algumas abelhas durante o fechamento da caixa.
Já existe alguns alimentadores que podem ser adaptados diretamente nas caixas, tornando assim desnecessário essa abertura constante para alimentar, depois escrevo sobre isso ilustrando alguns alimentadores já conhecidos ou que podem facilmente ser fabricados pelo meliponicultor.
No outro método, o externo, é mais prático, basta ofertar o xarope a alguns metros dos enxames em algum recipiente (pode ser até um prato de mesa comum) com alguns palitos ou pedacinhos de madeira dentro para servir de boia caso alguma cai no xarope e não morra afogada e esperar que com o tempo as abelhas vão sentir o cheiro e serão atraídas para o alimento. Para acelerar a atração, basta pingar algumas gotas do xarope na entrada do ninho com alguma seringa.
O mais legal desse método é que com o tempo as abelhas gravam o lugar e até a hora do fornecimento do alimento, sempre ficam algumas abelhas na área esperando o xarope chegar.
A vantagem desse método é que cada enxame pega a quantidade que precisa, amenizando assim os riscos de fermentação do alimento quando fornecido em demasia, não precisamos abrir as caixas, não produzindo assim os problemas já informados acima durante a abertura e ainda por cima é bem mais prático. As desvantagens são o aparecimento e concorrência das Apis Meliferas (abelha africana, vulgamente conhecida por abelha italiana), que devido ao elevado número de operárias logo tomam de conta dos alimentadores, expulsando as inocentes Jandaíras, fora que mesmo quando não aparece a apis muitas vezes há brigas no alimentador quando a fome é muito grande, outra desvantagem é que muitas espécies são resistentes a frequentar os alimentadores, a Jataí por exemplo é uma delas.
Fonte: Meliponário do Sertão 02/03/2015
http://meliponariodosertao.blogspot.com.br/2009/05/importancia-da-alimentacao-artificial.html

Autor: Vinícius Gonzaga

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